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Esta exposição marca um terceiro ato, até então existente apenas no campo imaginário de reflexão de um estado de esperança em uma possível distensão do tempo presente, para sinalizar o momento em que desejamos: antecipar o futuro.

Neste lugar de expectativa e com a finalização desta tríplice temporal – “É tudo nevoeiro codificado”, “Estamos aqui” e “Antecipar o futuro” – habitamos um presente-futuro em que seja possível criar rupturas, compartilhar sonhos e reconhecer-se com e no outro.

Os trabalhos que habitam esta exposição tensionam a intangibilidade do futuro, a hierarquização sócio-virtual, a fragmentação e ativação da memória, o risco da permanência dos corpos na sociedade e as estratégias de reexistir no presente. 

 

A construção da exposição em atos simboliza um rito de passagem que atravessamos, não seguindo uma ordem cronológica linear, mas, sim um prolongamento da temporalidade onde o presente está conectado ao passado e ao futuro, e a um estado de potência, no sentido de se permitir ser afetado e afetar o outro. Esses atos podem ser lidos como um contínuo de intensidades que permitam criar cartografias de desejos, uma linha de fuga, a invenção de novas possibilidades de vida. 

 

 

Érika Nascimento

#navitrine - Pedro Carneiro

 | 2020

Instalação

Fotos: Fernando Souza

Fé, uma palavra de duas letras. Tem na sua narrativa, poder. Fé não tem início, não tem fim. Ou você a sente ou você não a sente. Está na memória, como em um copo d’água com olho-de-boi na casa do meu pai. Não tem lógica, não lembro do meu pai rezando, mas lembro deste copo sempre ao lado da porta. Aquele pequeno objeto, sem eu saber, me protegia. Ele tinha peso de ouro, tinha o peso da fé. Nada poderia acontecer àquela casa sem que o olho-de-boi nos avisasse. Da mesma forma, nossos pés, ao pisarem no sal grosso, recarregam as forças e energias de todo nosso corpo.


Ensinamento ancestral. 

 

Não jogue o sal sobre a cabeça, mas tome banho sobre ele, toda a energia ruim vai escoar para o ralo. 

Em todas as casas que eu morei tinham nelas a segurança de que algo nos guardava e não dormia. 

No bar da minha mãe, São Jorge guardava a porta da cozinha de frente à entrada principal.
A carranca ao lado do sofá, novamente na casa do meu pai, encarava quem quisesse nos fazer mal.
A figa virou um dos símbolos usados pelo coletivo Quermesse, no qual eu fiz parte. Ela nos trazia sorte.
No jardim da minha avó, até hoje temos plantas que são remédios ou que nos protegem de outras formas. Esse ensinamento está profundamente enraizado, nas nossas memórias e nos nossos corpos.


Fé é uma instalação que reúne memórias e objetos, cultuando ensinamentos que são passados de geração em geração e afirmando o seu valor que ultrapassa o plano físico. Alguns objetos revestidos com tinta dourada expõem o valor simbólico que tais elementos já possuem em nossas vidas.
Como Jesus, ressignificado para os tempos atuais, sendo mais uma vez crucificado em nossa frente, a fim de nos salvar.


Esta instalação pede bênção aos mais velhos, pede bênção aos mais novos e eu peço bênção, neste mês que faço aniversário, para os novos caminhos.

Pedro Carneiro

Ficha técnica das obras


Santo Marginal

Óleo sobre tela

185 x 155 cm


Série Raízes (dez pinturas de plantas, ervas e flores que fazem referência a Orixás)

Óleo sobre tela

30 x 24 cm (cada)


Fé 1 (Carranca pintada de dourada)

21 x 5 x 7 cm


Fé 2 (Figa pintada de dourada)

20 x 3,5 x 2 cm


Fé 3 (Copo americano com tinta dourada e uma semente de “olho-de-boi”)

10 x 6 x 6 cm


Chão forrado com sal grosso

258 x 167 cm

PATROCÍNIO

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HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

SEGUNDA A SEXTA-FEIRA - 13h ÀS 18h

SÁBADO - SOB AGENDAMENTO

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