Ana Clara Tito, Batman Zavareze, Ivar Rocha, Jonas Arrabal, Leandra Espírito Santo, Gabriela Noujaim, Martha Niklaus, Nathan Braga, Panmela Castro, Roberta Carvalho, Simone Cupello, Talitha Rossi, Ursula Tautz, Virgínia Di Lauro e VJ Gabiru.

 

Neste tempo cronometrado, em que a vida humana na Terra aparenta ter seus dias contados, “estamos aqui” habitando um presente possível, no desejo por dias melhores, enquanto seguimos imersos pela presença do nevoeiro que atravessamos.

Em um lugar de risco de permanência e fragilidades de nossos corpos sociais e físicos, onde o experienciar a cidade está afetado e novos códigos são estabelecidos, percebemos o mundo sendo recriado, nos restando seguir à deriva absorvidos por esta névoa traduzida por uma dinâmica confusa, onde temos medo do peso das gotículas do ar. No profundo sentimento de estranhamentos, estabelecemos movimentos fictícios para nos conectar com o mundo, tateando as fissuras desse hiato tentando nos manter vivos e ativos diante de um estado de tensão e atenção em uma sociedade doente.

Estamos aqui, diante de uma exposição que pode ser vista como a possibilidade de refletir a expansão do presente em um espaço em transição, como se vivêssemos uma dilatação no tempo, em um ritmo complexo, infinito e suspenso. Uma espécie de drama, no qual apesar da divisão em atos, há uma sucessão de quadros em movimentos com grande autonomia estrutural que leva à dispersão do tempo e dos espaços. Um paradigma de forma aberta regido pelo desejo de romper a temporalidade.

Ao passo que, neste risco de desaparecimento, idealizamos mudanças individuais e coletivas, seguimos sem respostas para as provocações projetadas no “Ato 1”, tornando-se urgente emancipar as estratégias de vivência e criar formas de existir, que não seja a mesma praticada por políticas de negligenciamentos. Sendo assim, como podemos imaginar o nosso lugar como habitante neste tempo?  Como manter um estado de potência? Poderíamos vislumbrar até um terceiro ato, que nos transporta para uma projeção temporal, onde imaginamos um horizonte possível, com palavras de esperança lançadas na cidade, até o ponto de deslocarmos o nosso lugar de espectador e atuarmos no tempo presente-futuro.

 

Érika Nascimento

Ursula Tautz | Sem Título (Da série Estranhamentos), 2014 | Vídeo em full HD em loop, 1’ 09” | Tiragem: 1/3 + P.A.

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