A EXPOSIÇÃO 

As pinturas de Claudio Tobinaga nos apresentam invariavelmente corpos em diversos contextos e situações, visivelmente retirados de fotografias e vídeos. Essas imagens banais não dispõem de nenhuma pessoa pública, e nem mesmo de ritos sociais, como aniversários ou casamentos. Assim, seu trabalho não pode ser estritamente considerado como parte tradicional de um gênero da pintura. Mesmo que se aproximem do retrato, suas pinturas não se originam da relação clássica entre artista e retratado, ou entre arte e natureza. Ao contrário, é na relação entre pintura e imagem que devemos situar sua obra. De fato, mesmo quando pinta realisticamente, Tobinaga denuncia seu gesto, desmontando imediatamente a figura ou o espaço que a contém; nada é natural. Com a ciência de que trata de signos, o artista produz camadas em relação pictórica. Situar sua relação com o signo, assim, é a primeira tarefa para compreender e situar sua pintura.

 

Inicialmente, Tobinaga parece assumir um tom de paródia: escolhe imagens caseiras, toma delas, e distancia-se de qualquer sentido específico original. No entanto, seu trabalho vai certamente além da reprodução plana de imagens fotográficas, da descontextualização das imagens de origem e de uma ironia superficial; ela reverbera. Claudio Tobinaga entende a sucessão das imagens de origem como construção de padrões do imaginário, e pictoricamente, tanto retém quanto oblitera imagens. O que se forma, assim, é mais que uma justaposição estetizada. E Tobinaga exercita com as imagens questões nitidamente pictóricas – a luz de Morandi invade o subúrbio em uma pintura, uma mesa perde sua aresta para tornar-se um horizonte, um corpo veste-se de gradiente e nos faz retornar à planaridade Bizantina. O exercício dessa mnemônica da história da arte é um dos indícios de uma atitude que vai além da mundanidade superficial que explode em suas telas. Tobinaga reafirma a possibilidade experimental de um processo pictórico contemporâneo; enfrenta as imagens, enquanto mantém-se ciente dos problemas éticos envolvidos nessa prática.

 

É talvez em O Sacrifício que tais problemas éticos assumem um ponto crítico: é o momento no qual essa ciência do signo que motiva a pintura de Tobinaga encontra o corpo do outro, pintado como cordeiro que se apresenta a nós, assumido como emblema e plasmado como gradiente. Nessa pintura, o que está posto diante de nós é o sujeito em seu sacrifício para tornar-se imagem, para tornar-se arte.

Cezar Bartholomeu

curador

Colapsos

 

ABERTURA

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A exposição Colapsos, sob curadoria de Cezar Bartholomeu, teve sua abertura no dia 15 de agosto de 2018.

PATROCÍNIO

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HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO:

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SÁBADO - 11h ÀS 15h

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