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#navitrine - Franklin Cassaro

O Fantasma Chinês | 2020

Instalação

Fotos: Fernando Souza

O Fantasma Chinês

No desejo de antecipar o futuro, este cada vez mais incerto e longínquo, habitamos um presente marcado por uma expectativa de estabelecer conexões pelos desejos de fé[1], suspensão[2] e magia. Neste espaço em transição, Cassaro cria uma espécie de teatro dos objetos, dando vida ao Fantasma Chinês, conhecido como Jiangshi, ou mesmo fantasma viajante ou saltador. Um teatro do encantamento, de uma magia tropeçada.

 

O Fantasma Chinês, de forma cúbica de cédulas de renminbi – nome da moeda oficial chinesa –, flutua com o vento como se fosse um espírito ancestral aprisionado em uma armadilha escultórica. Parte dessas formas escultóricas estão presas por mecanismo tecnológicos ou artesanais chineses que rotacionam na vertical e horizontal, outras estão fixas por objetos, como pela representação do Velho Sábio e do Dragão Chinês.

 

Os chineses classificam os números como de sorte ou de azar de acordo com a sua semelhança fonética com palavras que possuem significados negativos ou positivos. Neste ano fragmentado, na numerologia a soma de 2020 é quatro. A letra chinesa para quatro tem som muito semelhante à palavra morte. Não à toa, o Velho Sábio, detentor dos segredos relacionados à origem do mundo, está exposto na frente da vitrine observando a rua, carregando por uma vara de bambu quatro moedas amarradas por linha vermelha.

 

Nessa instalação, os objetos cúbicos ganham novas formas de circulação, mesmo que estejam aprisionados ou conectados por linhas vermelhas, que representam felicidade e prosperidade na cultura popular chinesa. Diante deste oráculo, proposto pelo Fantasma Chinês, é possível acreditar na magia das coisas.

 

[1]   Primeira ativação da vitrine na exposição “Como habitar o presente? Ato 3 – Antecipar o futuro”, com a instalação “Fé”, do artista Pedro Carneiro.

[2]  Segunda ativação da vitrine na exposição “Como habitar o presente? Ato 3 – Antecipar o futuro”, com a instalação “Em suspensão”, da artista Virgínia Di Lauro.

 

Érika Nascimento, curadora.

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