Poder analógico

Maria Iñigo Clavo, 2014

 

 

Jogar as bolinhas de isopor na máquina, colocar os balões de látex, prensar, segurar os balões na máquina para evitar deslizamentos, prensar, retirar os balões e armazenar. A bata branca serve para se ter certeza de cumprir com as regras da higiene e da técnica. Objetos da imprecisão, imperfeição, tempo da produção da arte, do corpo que usa a máquina nos seus singulares ritmos, a única pressão é  só a da própria ambição. Movimento.

Em Tempos Modernos (1936), Chaplin realizava uma sátira da mecanização do corpo humano, da sua alienação pelo sistema fordista de produção. O operário era vítima de uma maquinaria que não descansa, que impõe uma temporalidade urgente, ritmo da repetição autômata. Como Judith Butler mostrou em The Psychic Life of Power, mantemos uma relação passional com quem nos subordina, nesse caso, ainda hoje, a tecnologia gera uma hipnose e fascinação pela precisão, pela magia do mecanismo: a fé no futuro. Quando Leandra Espírito Santo cria uma cultivadora de arte que obriga o corpo a se movimentar, recupera uma relação analógica e orgânica com a produção e seus meios. Não está muito claro quem está subordinado a quem, a relação entre ambos é ambivalente: tração mútua para uma produção incerta.

Texto para catálogo exposição individual “Incubadora” (2014) – Centro Cultural Paschoal Carlos Magno.

 

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